Amanhã não sei,não sei...
Estou postando no mar de poesias...Um pouco lá, um pouco aqui...
Amanhã não sei...Sei de agora nesse momento...
Nesse exato momento...Amanhã é um novo dia...
Pode ser diferente...Pode ser igual...
Amanhã posso querer...Aquilo que ontem não queria,
Como também posso não querer nunca mais,
Aquilo que mais queria...
Amanhã não sei...
Saberei na hora que quisserem que eu saiba...
Embora muitas vezes não gostaria de saber...Sabendo...
Amanhã não sei,não sei...Sei...Sei...
Da Janela
Acordou cedo,sete da manhã.Como de costume resolveu dar uma olhada na rua, puxou a cortina...Tudo quieto... Subindo com o olhar viu a janela do apartamento defronte com os vidros fechados... Mas viu através movimentos... Como se duas pessoas estivessem brigando. Foi no closet,abriu a gaveta e tirou os binóculos. Então enxergou bem nítidamente... O homem batendo na mulher. Batia no rosto, jogava ela para um lado e outro... Tanto que a mulher desaparecia da visão dela... E quando aparecia...Socos! Ficou indignada --- Já tinha visto outras vezes, mas eram apenas alguns puxões e depois ele parava!
Mas hoje sentiu que estava diferente... A mulher estava sangrando e o homem batendo.Com um impulso procurou o número do telefone na gaveta... Fazia tempo, desde que viu a primeira vez isso acontecer, que ela anotou o apartamento deles. Ficava no segundo andar de frente...Foi fácil achar.Tinha feito isso porque não suportava brigas, principalmente com desvantagens, nesse caso para a mulher. O homem era alto, e forte, enquanto ela, era bem pequena de estatura...E... sempre ele que batia... E ela que sempre apanhava. Ante de fazer o que pretendia resolveu olhar mais uma vez com os binóculos, a briga poderia ter acabado... Mas não... Achou que a hora era essa. Pegou o telefone sem fio e ligou ---- Chamou umas cinco vezes, atrás da cortina ela continuava olhando...O homem parou... Largou a mulher, interrompeu a ação... O homem gesticulava furioso --- A mulher saiu da visão... Ele atendeu telefone --- Ela nada falou --- Ficou muda, mas pensando tudo o que gostaria de dizer para ele, o que não era pouco...
Ele...alô! Ela nada...Desligou depois de escutar vários alôs...
---- Notou que os horários em que ele batia nela era sempre pela manhã ou à noite --- A tarde ela nunca tinha visto,era o horário em que ele estava a trabalhar.
Depois que ela ligou, pensou --- E se o homem tivesse uma bina! Iria ligar de volta! Mas ela estava pagando para ver...
Se ele retornasse a ligação ela reconheceria a voz, pois ela tinha ficado atrás dele no super mrcado do bairro e escutou bem o tom da voz dele...Olhou também as mãos dele... Mãos com ossos salientes... Mãos grandes...
Ficou pensando ---- Qua mulher dele saberia quanto a mão pesava...
Mas nada aconteceu... Ele não ligou... Se ele tinha bina ....Tinha também a consciência pesada... e depois se ele ligasse --- O que ele faria? Tenho o seu número aqui na minha bina! Foi voce que ligou? Simplesmente ela não responderia ...nada! Ele que se tocasse --- Era o que ela queria mesmo!
Passou a observar o vizinho... Três dias depois novamente, desta vez não foi ela quem viu, foi o pintor que estava a pintar a parede no quarto da frente --- Viu o pintor falar sozinho -- Foi ver o que era...
O pintor falou --- O seu vizinho está batendo na mulher... Joga a mulher pra cá e pra lá... Joga ela no chão! Levanta ela e bate na cara... Depois dizem que os pobres e que fazem "barraco"...
Ela saiu dali, pegou o telefone longe do pintor e ligou... Esperou atenderem ---
Alô,alô disse o homem esbaforido --- Ela nada falou --- Ficou muda, esperando que ele entendesse a mensagem... Antes que ele dissesse algo que ela não estava a fim de ouvir... Desligou --- Perguntou para o pintor... Ele parou de bater nela?
Acho que sim... Falou ele,não vi mais nada....
E assim ela foi fazendo... Ele batendo na mulher...Ela ligando
Foi num dia em que ele estava batendo muito na mulher, que ela não aguentou mais... E ligou para ele com a janela escancarada, olhando diretamente para a janela dele...Com o fone na mão...E... ele viu... Viu, e abriu a janela dele também...E colocando o dedo em riste foi falando algo em direção a ela... mas ela não entendia...E ele tentando aproximar-se mais para ela escutar os desaforos... Caiu da janela --- Ficou caído, ali desmaido --- Ela fechou as cortinas e ficou olhando...
Vieram algumas pessoas... Chamaram a ambulância... A mulher desceu com óculos escuros, foi junto na ambulãncia.
Ele voltou depois de meses. Voltou numa cadeira de rodas... Estava paralítico do pescoço para baixo --- Colocavam ele defronte a janela para pegar sol...Ficava ali horas parado... Só os olhos estavam vivos...
Um dia ela viu... A mulher bater nele,vários tapas na cara... E viu também...Depois ele olhando para a janela dela...
E entendeu! Pegou o telefone e ligou para o apartamento dele ---- A mulher atendeu ---- Ela nada falou...
Ficou a escutar a voz da mulher a dizer --- Alô,alô... E com o telefone na mão escancarou a janela...
Ser Estranho...
Ser estranho...É ser gente...
Porque ser gente...Gente só não é!
Dentro de gente...Tem tanta gente...
Difícil saber quem é...
Usa máscaras todos os dias,
Só tirando quando quer!
E mesmo assim no espelho olhando,
Nem mesmo sabe quem é!
Ser Humano...
Matam as baleias,
Matam os golfinhos,
Encarceram os passarinhos,
Matam os cães de rua,
Os mendigos,as crianças e os velhos abandonados,
Esquecidos são...
Os mares são poluidos a atmosfera também!
As árvores são arrancadas sem piedade,
O deserto vai avançando,
Estações do ano todas exacerbadas,
Calor...Calorão,
E quando frio...Gelo sem fim...
Mas o homem quis assim!
Esqueceu que a destruição que ele faz...
Faz mal para ele também!
E o amor?
Este está esquecido...Quase em extinção!
O que falta então?